A delegada de saúde da Praia, Ullardina Furtado, disse hoje que há uma tendência para a redução dos casos de paludismo, tendo neste sábado, 9, sido registado apenas três casos, depois do pico de mais 10 casos diários.

Essa tendência decrescente também foi assinalada pela Directora Nacional da Saúde, Maria da Luz Mendonça. Contudo, ambas consideram que os alertas devem continuar devendo a aposta continuar na prevenção da doença, através do combate aos mosquitos, já que o país está em plena época das chuvas, momento em que são registados maiores números de casos.

 Até este momento, já foram registados, só na Cidade da Praia, mais de 170 casos, dos 190 verificados, até sábado, a nível nacional, incluído os casos importados. Segundo o Ministério da Saúde, este ano o país já atingiu o número recorde dos casos, já que o maior número até agora registado, desde 1991, tinha sido 140 casos, em 2000.

O paludismo é uma doença provocada por um parasita que afeta o ser humano através de picadas de certos mosquitos. Esta doença, que também se conhece como malária, provoca febre, cefaleias (dores de cabeça), tosse, fraqueza muscular, vómitos, problemas hepáticos e renais, alterações no sistema nervoso central e outros transtornos que podem levar à morte.

Organização mundial da saúde disponível para ajudar para ajudar Cabo Verde a estancar o paludismo

Entretanto, a Organização Mundial da Saúde, OMS, mostra-se disponível para ajudar o país a estancar o avanço da doença. No final de um encontro com o Presidente da República, o representante da organização no país, Mariano Castelon, anunciou a chegada, para breve, de uma missão de assistência técnica.

Além de envio de especialistas, a OMS vai também disponibilizar apoio logístico a Cabo Verde, garante Mariano Castelon. Embora faça parte de uma lista de 12 que está em vias de passar da fase de pré-eliminação para a fase de eliminação total da malária, Cabo Verde deve, no entender do representante da OMS, fazer da luta contra essa doença uma bandeira nacional.

De acordo com o boletim epidemiológico do ministério da Saúde, citado pelo representante da OMS, há, atualmente, cerca de 170 casos de Paludismo.

Santo Antão intensifica luta

A Delegacia de Saúde da Ribeira Grande, Santo Antão, promoveu no início desta semana um encontro com as instituições com interesse na luta anti-vectorial para elaborar um “plano de contingência municipal” que previna o surgimento de casos de paludismo no concelho.

 A delegada de Saúde da Ribeira Grande, Florentina Lima disse à Inforpress que a luta anti-vectorial nunca parou na Ribeira Grande e que foi reforçada com o aparecimento do surto de paludismo na ilha de Santiago.

“As equipas estão no terreno e temos vindo a fazer o trabalho de comunicação e orientação junto das populações com vista à prevenção”, disse Florentina Lima alertando para a necessidade de as pessoas informarem à Delegacia de Saúde acerca do surgimento, nas localidades, de focos de proliferação do mosquito-vector.

Segundo Florentina Lima, a Delegacia de Saúde tem vindo a trabalhar na prevenção “porque já temos o mosquito-vector, o aedes egipty, temos a doença em Cabo Verde, portanto, a luta tem de ser permanente embora nesta altura do ano, com as chuvas, as condições sejam mais propícias para o surgimento de casos”.

“Já fomos à rádio local, as equipas têm saído porta-a-porta e temos vindo a distribuir panfletos informativos” disse a delegada de Saúde da Ribeira Grande explicando que “as equipas de terreno têm um calendário estabelecido para visitas periódicas às diferentes localidades, como forma de evitar que aconteçam casos de paludismo”.

Uma das ações em processo de implementação no concelho é a pulverização intra-domiciliária mas optou-se primeiro pela pulverização das escolas, tendo em conta que o ano letivo vai arrancar dentro de poucos dias. Segundo a delegada, tendo em conta as condições orográficas do concelho da Ribeira Grande, “todos os pontos são críticos” e avançou que lá onde foram detetados focos de mosquitos, “lá a Delegacia de Saúde da Ribeira Grande tem atuado”.

 “As pessoas não devem esperar que vá alguém de fora para cuidar da sua casa ou dos arredores da sua casa” disse Florentina Lima assumindo a ideia de que “a saúde é um compromisso do Estado, mas é uma responsabilidade de todos”. Conforme apurou a Inforpress, até ao momento não se registou qualquer caso de paludismo, autóctone ou importado, na ilha de Santo Antão.

Fonte: Inforpress/RTC