Poluentes nos alimentos aumentam o risco de doenças metabólicas

Cientistas do Cintesis – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, no Porto (Portugal), comprovaram que, mesmo em doses muito reduzidas, o poluente chamado DDE, usado em alimentos, tem a capacidade de danificar a saúde metabólica, causando problemas como obesidade, inflamação, diabetes e hipertensão arterial.

O DDE é um derivado do pesticida DDT usado para matar os mosquitos da malária e que, apesar de ter sido proibido há vários anos, permanece na nossa cadeia alimentar. Com experiências feitas com ratos, uma equipa de investigadores do Cintesis – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, no Porto, comprovou que, mesmo em doses muito reduzidas, este contaminante tem a capacidade de danificar a saúde metabólica, causando problemas como obesidade, inflamação, diabetes e hipertensão arterial.

E se fizer uma dieta gorda, é pior ainda porque este poluente é lipossolúvel e gosta de gordura. Num estudo anterior, a equipa do Cintesis estudou os efeitos da presença de 13 poluentes orgânicos persistentes (conhecidos como POP) no organismo de doentes obesos que tinham sido sujeitos a uma cirurgia bariátrica. Entre os contaminantes encontrados, estava o DDE. Estes doentes sofriam de vários problemas metabólicos e nas 189 amostras de tecido adiposo analisadas foram detectadas grandes quantidades de poluentes. Logo nessa altura, a equipa de investigadores defendeu que existia uma associação entre a desregulação metabólica e a presença de poluentes no tecido adiposo.

Desta vez, escolheram um poluente específico, o DDE, que tinha sido encontrado em quantidades significativas nas análises feitas no estudo anterior em doentes, para comprovar este efeito no metabolismo. No estudo, existiram quatro grupos de ratos. Dois dos grupos receberam quantidades de DDE que eram 2,5 vezes inferiores às doses consideradas seguras, pelas normas internacionais, e distinguiam-se apenas pela dieta, com uns animais a fazer uma dieta com muita gordura e outros uma dieta normal.

Os outros dois grupos de animais (de controlo) eram divididos da mesma forma, mas não foram expostos ao contaminante. “Percebemos que os ratos expostos a contaminantes apresentaram maiores índices de problemas metabólicos como hipertensão, diabetes, inflamação”, refere ao PÚBLICO Diogo Pestana, primeiro autor deste trabalho de investigação, acrescentando que estes problemas foram mais evidentes nos ratos submetidos a uma dieta gorda. A experiência também permitiu verificar que o tecido adiposo dos ratos que ingeriram DDE ficou morfologicamente diferente.

“O DDE não se acumula simplesmente nas células gordas (adipócitos), mas exerce uma acção nefasta sobre o normal padrão metabólico e de regeneração do tecido e altera a resposta dinâmica do tecido ao excesso energético, causando inflamação”, conclui o investigador do Cintesis, que é também docente na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa.

FONTE: Expresso das Ilhas