A Ordem dos Médicos Cabo-Verdianos (OMC) fez esta semana um balanço marcado por reflexões estratégicas sobre o futuro do sistema nacional de saúde, no âmbito do V Simpósio Científico-Cultural, que reuniu médicos nacionais e da diáspora. Na sessão de abertura, o bastonário da OMC, Dr. Francisco Barbosa Amado, defendeu uma “aposta firme” na qualidade, na formação contínua e na integração da diáspora médica como pilares fundamentais para o fortalecimento do sistema de saúde em Cabo Verde.
O dirigente da OMC sublinhou a necessidade de o país consolidar uma cultura de maior exigência científica, institucional e profissional, reforçando que a medicina de qualidade deve assentar em ciência, ética e organização institucional. “A qualidade não pode ser vista como um luxo, mas como uma necessidade estrutural para sistemas com recursos limitados”, afirmou. O Dr. Francisco Barbosa Amado destacou ainda o papel da diáspora médica, considerando-a uma das maiores reservas de conhecimento do país, defendendo a criação de mecanismos mais eficazes para a sua integração no sistema nacional de saúde, através de pontes institucionais e colaboração estruturada.
O Dr. Júlio Teixeira, presidente da Cabo Verdean American Medical Society – CVAMS (parceira da OMC na organização do simpósio), reforçou igualmente a importância de estreitar a cooperação com Cabo Verde, sublinhando a disponibilidade dos profissionais no exterior para contribuir com conhecimento, experiência e ações concretas de formação e apoio ao sistema nacional de saúde. O Presidente da CVAMS ainda defendeu durante o simpósio que o País deve apostar na construção de um modelo próprio de formação médica, menos dependente de referências externas: “Cabo Verde precisa desenvolver o seu próprio programa de formação médica, ajustado à sua realidade. As valências necessárias não são necessariamente as mesmas de outros países.”
No mesmo sentido, sublinhou o contributo que a diáspora pode dar, tanto na formação académica como na modernização do sistema de saúde, incluindo através da telemedicina. “Temos na diáspora médicos altamente qualificados que podem contribuir para a formação dos profissionais cabo-verdianos e para um sistema mais eficiente, com menos erros e maior capacidade de resposta.” A cooperação poderá também estender-se à área da medicina desportiva, com apoio previsto à seleção nacional — os “Tubarões Azuis” — em futuras competições internacionais. “Estamos a preparar-nos para apoiar a seleção, nomeadamente com especialistas em medicina desportiva, tendo em vista grandes competições como o Mundial de 2026.”
Os trabalhos do simpósio foram também marcados por debates sobre a necessidade de reforçar a qualidade e segurança do doente, através da implementação de protocolos clínicos, auditorias, formação contínua e maior responsabilização institucional. O Bastonário da OMC alertou para a importância de um investimento consistente no conhecimento e na produção científica, defendendo que “não haverá melhoria sustentada sem dados, sem reflexão crítica e sem profissionais devidamente preparados”. A OMC destacou ainda que a valorização dos médicos, a melhoria das condições de exercício profissional e a aposta na investigação científica são elementos essenciais para garantir a qualidade dos cuidados prestados à população.
O V Simpósio Científico-Cultural encerrou uma semana de reflexão marcada pelo reforço da cooperação com a diáspora e pela afirmação da qualidade como eixo central do desenvolvimento do sistema de saúde cabo-verdiano.