A Fundação Doenças do Movimento em Cabo Verde acaba de concluir e publicar o primeiro estudo epidemiológico sobre doenças do movimento (DM) no país. O trabalho, realizado entre julho e dezembro de 2024, constitui um marco inédito na caracterização deste grupo de patologias neurológicas no arquipélago e fornece dados essenciais para a formulação de políticas públicas nas áreas da saúde, da inclusão e da proteção social.
O estudo adotou um levantamento epidemiológico observacional, baseado na revisão de processos clínicos de todos os portadores de DM identificados nos hospitais, clínicas e centros de saúde nacionais. Foi desenvolvido um questionário com 48 perguntas, fundamentado em escalas validadas por organizações internacionais de saúde, que abordou dados demográficos, clínicos, acesso a tratamentos e qualidade de vida. O processamento de dados recorreu a técnicas de Processamento de Linguagem Natural (PLN) para perguntas abertas, ao teste do qui-quadrado e ao teste t de Student para análises descritivas, e a um modelo de regressão logística multivariável para comparações ajustadas.
Principais Resultados
Foram identificados 110 portadores de doenças do movimento em Cabo Verde, com uma idade média de 67,6 anos (±14,5). A doença de Parkinson (DP) representa a patologia predominante, correspondendo a 79% dos casos, seguida pelo tremor essencial (9%) e pela coreia de Huntington (8%). Sessenta por cento dos participantes residem em zonas urbanas e 61% encontram-se na região de Sotavento.
A prevalência padronizada por idade das DM a nível nacional situou-se em 17 pessoas por 100.000 habitantes (IC 95%: 13–20), com valores de 19 [14–25] para os homens e 14 [10–19] para as mulheres. Entre a população com mais de 60 anos, a prevalência sobe significativamente para 117 [89–145] por 100.000 habitantes. A incidência padronizada por idade registada em 2022, 2023 e 2024 foi de 5, 4 e 4 novos casos por 100.000 habitantes, respetivamente.
Conclusões e Recomendações
O estudo conclui que as taxas de prevalência e incidência das DM em Cabo Verde são inferiores às da média global e da África Ocidental, mas regista um aumento significativo de novos casos nos últimos anos. Os autores recomendam a promoção do diagnóstico precoce e a adoção de uma abordagem holística, multidisciplinar e sistémica por parte das entidades responsáveis, bem como a atualização dos sistemas nacionais de saúde.
“Recomenda-se a promoção do diagnóstico precoce, a adoção de uma abordagem holística, multidisciplinar e sistémica de intervenção por parte das entidades responsáveis, e a atualização dos sistemas nacionais de saúde.”
Financiamento e Autoria
O estudo foi financiado pela própria Fundação Doenças do Movimento em Cabo Verde, com apoio do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), e destina-se ao Ministério da Saúde, ao Ministério da Família e Inserção Social, ao INPS e ao Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP). Os resultados serão igualmente divulgados junto de profissionais de saúde, organizações internacionais sediadas no país e do público em geral.
Aceda ao estudo completo aqui.