Uma equipa internacional de investigadores esteve em Cabo Verde até o dia 2 de abril para dar início ao trabalho de campo de um estudo epidemiológico internacional inovador dedicado à investigação das causas genéticas da Doença de Parkinson e de outros parkinsonismos degenerativos na população nacional, o qual abrangeu as ilhas de Santiago, Santo Antão e São Vicente.
O projeto é coordenado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, em parceria com o Serviço de Neurologia do Hospital Universitário Agostinho Neto, contando ainda com o apoio da Fundação Doenças do Movimento em Cabo Verde. Integram também esta iniciativa o CNS – Campus Neurológico e o Instituto de Neogenética da Universidade de Lübeck.
O estudo tem como principais objetivos identificar possíveis alterações genéticas associadas à doença na população cabo-verdiana, caracterizar as suas manifestações clínicas e reforçar as capacidades de diagnóstico e de investigação científica no país. De acordo com a Fundação DDM-CV, o projeto pretende igualmente promover o avanço do conhecimento científico e contribuir para o desenvolvimento sustentável da saúde pública em Cabo Verde.
A investigação é liderada pelo Joaquim Ferreira, Subdirector da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e Director do Serviço de Neurologia da Unidade de Saúde de Santa Maria, em Portugal. O trabalho de campo decorreu em Santiago, entre 23 e 28 de março. Seguiu-se a ilha de Santo Antão, de 30 a 31 de março, e, por fim, São Vicente, nos dias 1 e 2 de abril.
Participação e critérios de inclusão
Podem participar no estudo pessoas com diagnóstico clínico de Doença de Parkinson, bem como indivíduos com suspeita ou diagnóstico de outros parkinsonismos degenerativos.
O recrutamento é efectuado por neurologistas e por médicos de estruturas de saúde públicas e privadas, incluindo os cuidados de saúde primários. A avaliação dos participantes inclui exame neurológico detalhado, aplicação de escalas clínicas e questionários epidemiológicos, recolha de dados clínicos e de antecedentes familiares, bem como colheita de amostras biológicas para análise genética.
Entre os benefícios previstos destacam-se o acesso a avaliação clínica especializada, uma melhor caracterização individual da doença e o contributo para a identificação de eventuais causas genéticas específicas da população cabo-verdiana.