O Ministério da Saúde reuniu-se nesta terça-feira, 6 de outubro, na cidade da Praia, com vários médicos aposentados, com vista a aferir a sua disponibilidade para colaborarem no reforço da prestação de cuidados e na cobertura das especialidades em falta no país. Em declarações à imprensa, o ministro da Saúde, Lúcio Fernandes, afirmou que o encontro teve por finalidade valorizar a “vasta experiência acumulada” dos médicos reformados e identificar as áreas em que poderão contribuir, de acordo com a disponibilidade de cada profissional.
O governante indicou que existem cirurgiões, cardiologistas, urologistas e radiologistas aposentados, especialidades que, segundo disse, fazem atualmente falta ao país, e assegurou que o Ministério está aberto a todas as propostas que possam melhorar o sistema nacional de saúde. Em paralelo, o Ministério da Saúde está a expandir a rede de cuidados primários, com intervenções já iniciadas em alguns postos de saúde. O combate às doenças crónicas não transmissíveis, responsáveis por 74% das causas de morte no país, figura entre as prioridades.
Segundo Lúcio Fernandes, a estratégia passa pelo controlo precoce de fatores de risco, como a diabetes e a hipertensão, com o objetivo de reduzir a incidência de acidentes vasculares cerebrais (AVC), sobretudo entre a população mais jovem. O ministro adiantou ainda que o setor pretende reforçar a formação médica especializada e reabilitar infraestruturas, de modo a transformar as unidades de saúde em postos funcionais e a aproximar os cuidados das comunidades.
Para o efeito, está prevista a contratação de novos enfermeiros em 2027, considerada essencial tanto nos cuidados primários como no apoio às equipas hospitalares.
Próximos passos
O Ministério da Saúde comprometeu-se a analisar as propostas apresentadas e a definir os modelos de colaboração mais adequados à disponibilidade de cada médico. A reunião decorreu no Salão de Banquetes do Palácio do Governo, em formato híbrido, permitindo a participação por videoconferência dos médicos residentes fora de Santiago ou impossibilitados de comparecer presencialmente.
A Ordem dos Médicos Cabo-Verdianos acompanha com atenção esta iniciativa e reconhece o valor da experiência dos colegas aposentados para o fortalecimento do sistema de saúde. A Ordem manifesta a sua disponibilidade para colaborar com as entidades competentes, no sentido de que quaisquer modelos de colaboração salvaguardem a qualidade dos cuidados prestados, o rigor técnico-científico e o cumprimento das normas deontológicas e de inscrição profissional.