Comemora-se hoje, 28 de Julho, o Dia Mundial contra a Hepatite, um problema de saúde pública mundial que urge erradicar. Este ano, ao assinalar a data sob o lema “Eliminar a Hepatite”, a Organização Mundial da Saúde exorta, através da sua diretora, todos os países e comunidades a acelerarem o passo para se atingir a meta da eliminação da hepatite viral até 2030.

O primeiro Relatório Mundial sobre a Hepatite, produzido pela Organização Mundial da Saúde em 2017, mostra que, em finais de 2015, aproximadamente 325 milhões de pessoas viviam com uma infeção crónica devida ao vírus da hepatite B ou da hepatite C. Destas, cerca de 70 milhões encontravam-se na Região Africana. Só em 2015, estima-se que a doença tenha causado mais de 136 mil óbitos na Região.

Infelizmente, na Região Africana, a maioria das pessoas que padecem de uma hepatite viral crónica não estão sequer conscientes do seu estado e, pouquíssimas são as que têm acesso à despistagem e ao tratamento. O relatório de 2017 mostrou que somente 9% das pessoas infetadas com o VHB e 20% com o VHC foram submetidas a testes e diagnosticadas. Entre as pessoas que foram diagnosticadas com infeção pelo VHB, 8% encontravam-se em tratamento, enquanto 7% daquelas diagnosticadas com infeção pelo VHC tinham começado o tratamento em 2015.

É possível eliminar a hepatite viral. A administração generalizada da vacina em bebés reduziu consideravelmente a incidência de novas infeções crónicas de VHB. Outras medidas incluem a prevenção da transmissão materno-infantil da hepatite B, o que inclui a dose de vacina à nascença, o abastecimento seguro de sangue, a melhoria da segurança das injeções nos estabelecimentos de saúde, a introdução de serviços abrangentes de redução dos danos para prevenir a transmissão da hepatite B e C entre consumidores de drogas injetáveis e a abrangência do tratamento contra as hepatites B e C.

Além disso, garantir um alto nível de saneamento e o acesso a alimentos e água em boas condições de salubridade constituem medidas eficazes para prevenir e controlar epidemias pelo vírus da hepatite A e da hepatite E. A Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável convoca a comunidade internacional a lutar contra a hepatite e recomenda abordagens inclusivas que promovam a equidade e a Cobertura Universal Sanitária para que ninguém fique para trás. Em Maio de 2016, a OMS apresentou à Assembleia Mundial da Saúde a primeira Estratégia Mundial da OMS para o Sector da Saúde sobre a Hepatite Viral cujo fulcro é a eliminação.

Em Agosto do mesmo ano, os Estados-Membros da Região Africana adotaram um quadro de ação (2016-2020) para ajudar os países a pôr em prática a estratégia mundial. Por ocasião deste Dia Mundial contra a Hepatite, insto todos os Estados-Membros a reforçarem os seus programas nacionais, introduzindo serviços dedicados à hepatite através de uma abordagem de saúde pública que beneficie a todos e aumente rapidamente os serviços de despistagem e de tratamento.

Apelo ao público em geral para se informar acerca da hepatite viral, para procurar os testes de despistagem relativos à hepatite viral e para se inteirar se necessita de tratamento. Convido os parceiros internacionais, a sociedade civil e o sector privado a apoiarem a resposta regional à hepatite, apostando na sensibilização, promovendo a causa em prol de investimentos adequados e trabalhando com os Estados-Membros para implementar intervenções fundamentais em termos de prevenção e de tratamento. Pelo seu lado, a OMS continuará a apoiar os Estados-Membros na implementação da estratégia contra a hepatite visando a eliminação deste problema de saúde pública na Região Africana. Trabalhando juntos, conseguiremos atingir o objetivo da eliminação da hepatite viral até 2030.

FONTE: Anação